Entre os dias 27/01 a 05/02/12 eu e minha esposa estivemos em peregrinação pela Terra Santa, num grupo organizado pelo Pe. Nilson, da Paróquia da Soledade. Como houve a adesão de 90 pessoas, contou com dois Diretores Espirituais. Além do Pe. Nilson, o Pe. Josias, da Paróquia da Mangueira.
Vale ressaltar a eficiência da Obra de Maria nesta peregrinação, como a reserva de hotéis, dos melhores e reserva de bons restaurantes para todo o grupo, disponibilizando-nos dois guias turísticos, falando fluentemente o português, com fone de ouvido para cada um dos peregrinos, com dois ônibus. O único imprevisto que tivemos foi na volta para o aeroporto de Telavive. Quando chagamos ao restaurante, o qual já estava lotado, não havia espaço para nós. O gerente se desculpou dizendo que havia um mal-entendido, que a reserva estava marcada para o dia seguinte. Contudo, a Obra de Maria disponibilizou US$ 15 para cada um de nós fazermos um lanche no aeroporto. Não podemos deixar de enaltecer os missionários que nos acompanharam, pessoas formidáveis, como o Sávio, a Mara, o Breno e a Jéssica, sempre dispostos a nos ajudar, principalmente aquelas pessoas mais idosas que precisavam de um apoio. A Jéssica, na volta ficou em Lisboa, para dali partir para a missão evangelizadora da Obra de Maria na África. O Sávio nos transmitiu ensinamentos e experiências valiosas, acumuladas nos anos em que foi missionário na Terra Santa.

imagem ilustrativa/Internet
Roteiro das visitas: hospedados em Belém, visitamos entre outros santuários, a gruta da Igreja do Campo dos Pastores e a Basílica da Natividade, em Belém ou Efrate, aonde se encontra a tumba de Raquel, esposa querida de Jacó; fomos à Igreja da Visitação, na cidade de Ein Karem, para onde a Virgem Maria viajou 150 km, de Nazaré, na Galiléia, até a Judéia, para visitar a sua prima Isabel que estava com João Batista no ventre e ficou lhe servindo por 3 meses; em Jerusalém, conhecemos a Igreja Pater Noster, onde Jesus ensinou o Pai Nosso aos seus discípulos, o Monte das Oliveiras ou Getsêmani, da agonia de Jesus, o Monte Sião, a Tumba do Rei Davi, o Muro das Lamentações, o calabouço escavado sob a rocha aonde Jesus foi preso. Participamos da Via-Sacra, nas mesmas ruas estreitas por onde Jesus, na Via Dolorosa, conduziu a sua cruz para o Monte Calvário. Estivemos no Santo Sepulcro, na Pedra da Unção, no Gólgota ou lugar da Caveira e em tantos outros Santuários.
Depois, seguimos para a Galiléia, passando por Betânia, aldeia onde moravam Marta, Maria e Lázaro, os amigos de Jesus; passamos ainda pelo Mar Morto e por Jericó, aonde Jesus curou um cego e converteu o baixinho Zaqueu.
Uma vez hospedados em Nazaré, visitamos a Basílica da Anunciação, a Igreja de São José, a Igreja de São Gabriel, aonde se encontra o Poço de Maria. Seguimos para Caná, aonde Jesus, atendendo a um pedido de sua Mãe, Maria Santíssima, operou o primeiro milagre, transformando água em vinho. Aí, os esposos renovaram as suas Promessas Matrimoniais; Monte Tabor, aonde Jesus se transfigurou, na presença de Pedro, Tiago e João, os quais ouviram a voz de Deus, prenúncio da transfiguração do pão e do vinho consagrados, no Corpo e no Sangue de Jesus: “Este é o meu Filho muito amado, ouvi-o”! (Mt 17,1-9)
Partimos para o Mar da Galiléia, parando em Cafarnaum, terra de Pedro; Tabga, Igreja da multiplicação dos pães e dos peixes, Igreja de São Pedro; em Dalmanuta, visitamos a Igreja da Primazia de Pedro. Fomos ao Monte das Beatitudes, aonde Jesus pregou o Sermão da Montanha. Como Jesus, navegamos na barca, no Mar da Galiléia. Em Yardenit, ás margens do Rio Jordão, renovamos as promessas do Batismo. Por último, conhecemos o Monte Carmelo, ás margens do Mar Mediterrâneo.
Sabemos que há rivalidade enorme entre o povo judeu e seus vizinhos árabes. Porém, ali em Israel percebi uma convivência pacífica entre povos de diferentes religiões, parecendo haver uma zona de neutralidade, de respeito e de tolerância religiosa.
Neste clima de tolerância, houve celebração da Santa Eucaristia todos os dias da nossa peregrinação, com a proclamação da Palavra, rememorando a passagem do Evangelho vivida naquele lugar, há dois mil anos.
Experimentei muitas emoções em todos estes lugares santos, desde a Judéia até a Galiléia, os quais guardam uma religiosidade impressionante, sobretudo respeitando as diversidades de manifestação de fé.
Foi assim que em plena cidade de Belém, presenciei um muçulmano na varanda superior de uma mesquita entoando o seu canto de chamada para a oração da tarde, da mesma forma que em nosso País, repicam os sinos das Igrejas, lembrando aos fiéis o horário da Santa Missa. Presenciei ainda um cemitério muçulmano, na parte oriental do muro de Jerusalém, em frente ao antigo Portão Dourado, por onde Jesus entrou em Jerusalém, com os seus discípulos, no Domingo de Ramos, montado em um jumentinho. Este portão foi fechado, desde o século 9, e, de acordo com a tradição judaica, o Messias entrará em Jerusalém pelo mesmo. A existência deste cemitério construído pelos árabes ali em frente, foi para evitar a chegada do Messias, uma vez que ele será membro do sacerdócio e por este motivo, não pode entrar em um cemitério. Acontece que Jesus de Nazaré, o Messias, entrou em Jerusalém por este mesmo portão, também chamado de Portão oriental. Vale uma observação: no Ofício da Imaculada Conceição tem um verso que titula Nossa Senhora de Porta oriental, com uma explicação bíblica para este título, no livro do Profeta Ezequiel (Eze 46,1-3): “… a porta oriental do Templo de Jerusalém é o lugar por onde entra o Príncipe; todo o povo da terra se prostra junto a esta entrada”. Por meio de Maria, Deus entra na história humana, realizando o grande milagre da Encarnação de seu Filho Único, o Príncipe dos reis da terra. Os judeus e os árabes, talvez inebriados pela Avareza e pela Soberba, não notaram a vinda do Emanuel, Deus conosco, na pessoa de Jesus, e assim, passaram batidos, perdendo a oportunidade de celebrar a vinda do Messias, nosso redentor.
Foram tantas as emoções que senti ali na Terra Santa, que olhando para a Santa Cruz de Jesus, na Igreja do Santo Sepulcro e nos demais templos católicos, vi a inscrição: INRI -Jesus de Nazaré Rei dos Judeus. Então, particularmente, descobri que sou Judeu, uma vez que Jesus é o meu Senhor, o meu Deus, o meu Rei.
De forma parecida, a moabita Rute tornou-se judia.Viu que o Deus de Israel é o único Deus verdadeiro: “… Aonde fores, eu irei; aonde habitares, eu habitarei. O teu povo é meu povo, e o teu Deus, meu Deus…” (Rut 1,16-17).
Reporto-me às palavras do Pe. Expedito: “Seu artigo, “Sou judeu e não sabia”, publicado na edição de Domingo – dia 26 de Fevereiro do Jornal do Commercio, está magnífico. Vc tem razão, todos nós somos “judeus espiritualmente”, pois herdamos a Fé do patriarca Abraão, fomos remidos pelo maior de todos os judeus, N.S.J.C. e temos por Mãe espiritual a maior de todas as judias, Maria Santíssima”.
Agora, vamos meditar numa passagem do Evangelho de São João e na carta de São Paulo aos Gálatas, que tratam, respectivamente, da vinda de Jesus, o Emanuel, Deus conosco e do Espírito de filiação. Disse Jesus a Nicodemos: “…Com efeito, de tal modo Deus amou tanto o mundo, que lhe deu seu Filho único, para todo o que nele crer, não pereça mas tenha a vida eterna…” (Jo 3, 16-21); “…Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma Lei, a fim de remir os que estavam sob a Lei, para que recebêssemos a sua adoção. A prova de que sois filhos, é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: “Aba, Pai!” Portanto, já não és escravo mas filho, e se és filho, então também herdeiro por Deus”. (Gal 4,4-7).
Para Deus, nada é impossível. Por este Caminho, tanto os judeus, como os árabes e todos os povos da terra, haverão de se converter e enxergar que Jesus Cristo é o Emanuel, Deus conosco, o Messias, nosso Redentor.
Assim, em Jesus Cristo, se cumpre a aliança de Deus com Abraão: “… Levanta os olhos para os céus e conta as estrelas, se és capaz… Pois bem, disse-lhe o Senhor Deus, assim será a tua descendência” (Gen 15,5-6).
Antônio Alfredo Coelho Beviláqua
Católico